Pablo, é pesquisador e professor doutor do Programa de Pós-Graduação em Artes e da Escola Guignard da UEMG. Gestor de serviços da Rede Brasileira de Serviços de Promoção Digital do IBICT/MCTI. Coorganizador de diversos livros, tais como “Configurações do Pós-Digital” (2017), “Refletindo sobre a cultura” (2017), “Jogos e sociedade” (2012)

Com a arte digital, a ciência tem uma relação mais estreita com o painel criativo? Como essa relação acontece? Como a ciência se aproxima da arte digital?

Na verdade o que acontece com o advento do pós-digital – quando o digital é algo dado, quando o mundo está digitalizado ou em vias de sê-lo – é um acerto de contas histórico da arte para com a ciência e para com a técnica. Acerto esse que cita os “artistas-engenheiros-cientistas” do passado das artes. As dimensões teóricas e práticas, na arte digital, se mostram unificadas e afirmam que pensamento, técnicas e fazeres diversos são instâncias entrelaçadas. O mundo cada vez mais é levado a perceber que a ideia de criatividade está presente nos mais diversos setores da sociedade e não restrito às artes. Vemos isso justamente após vivenciarmos renovações nas ciências e o aparecimento – ou crescimento – de campos da biotecnologia em geral, mas também campos como game studies, inteligência artificial etc.

Como a arte digital pode ser uma alternativa de acessibilidade para a população em geral?

Os modos de perceber o mundo e interagir com ele estão mudando. As pessoas estão cada vez mais familiarizadas com os modos de midiatização que as permitem não apenas alcançarem aspectos do mundo, mas participarem de construção de outros mundos dentro dele. A arte, conforme pensada por algumas tradições, se estabelece justamente com esse poder de ser um mundo, manifestar um mundo. A arte digital une a mudança cognitiva que os avanços tecnológicos permitem às mudanças que a produção estética tem a potência de realizar. Ao potencializar a multiplicação do mundo pode ocorrer, talvez, uma multiplicação do acesso a ele. Isso é algo que a arte digital poderá ou não mostrar.

Como a arte de agora pode interagir com seus públicos?

A arte digital, quando interativa, tem neste processo sua principal arma. As pessoas são capturadas pelas interfaces e com elas se acoplam para produzir a obra em instância espaço-temporal própria. Essa construção é também disruptiva, tendo em vista que representa metonimicamente o que ocorre no mundo contemporâneo.